sexta-feira, 17 de abril de 2015

Queres fazer Teatro?

Inscreve-te em ncbjovens@gmail.com e vem à reunião do dia 9 de Maio!


segunda-feira, 15 de março de 2010

20 anos de História - NCB

Transcrevo um texto de opinião recentemente enviado à Comunicação Social minhota:

Nova Comédia Bracarense – desde 1990

O ano de 2010 traz algo de memorável, uma marca que se impõe registar: uma das mais emblemáticas e antigas companhias teatrais de amadores de Braga, a Nova Comédia Bracarense, completa 20 anos, valorizando, para a cultura da cidade, esta época teatral.
Não quero mergulhar na já longa e produtiva história da Nova Comédia Bracarense. Noto apenas que a fusão de outras associações que originou a NCB foi o início dum inegável caso de sucesso e sobrevivência no mundo do Teatro de amadores. Agora com três grupos (Infantil, Juvenil e Sénior) em funcionamento, a nossa Companhia mantém-se viva e perspectiva um futuro de ainda maior produção artística, representativa da sociedade e cultura bracarenses.
Esta vivacidade e instinto de sobrevivência surgem, antes de mais, da família que compõe a NCB, começando nos membros fundadores Vasco Oliveira (actual Presidente) e Carlos Barbosa (Director Artístico). Ao longo destes 20 anos muitos outros se juntaram a esta causa cultural e associação de verdadeiros amigos.
Ao entrar nesta companhia, há cerca de nove anos, fui muito bem recebido, aceite no grupo sem hesitações. A naturalidade com que se desenrolavam as coisas, sem desigualdades, sempre com um ritmo calmo, sem perder a noção dos objectivos, geraram em mim a ideia de que a NCB não teria nascido, mas seria reminiscente da eternidade que caracteriza esta forma de arte em si, o Teatro, ou mesmo a cultura em geral: mais uma parte de nós, desde que nos lembrámos.
Foi, portanto, uma surpresa para mim ouvir mais tarde as “estórias” (e alguma da história) da Nova Comédia Bracarense. O percurso da ‘Nova Comédia’ não é pavimentado a troféus, mas os momentos menos bons não sugerem atitudes de desistência, ou de fatalidade; antes pelo contrário, são formas de aprendizagem que todos nós tomamos como parte das nossas vidas, em particular os elementos da Direcção e restantes órgão sociais. Assim, sendo artistas, dirigentes e voluntários das horas vagas, fomos capazes de tornar a NCB uma companhia de teatro forte, praticamente autónoma e que nunca desaponta o seu público ou os seus parceiros, sejam eles associações ou outras entidades.
Caminhamos, sob o símbolo do nosso jogral, para nos tornarmos uma pedra crucial das fundações da cultura bracarense contemporânea, um esteio ao qual não se conhecem vacilações ou fraquezas que não tenham sido facilmente ultrapassadas.
A mim, compete-me expressar o orgulho de pertencer a este grupo, de envergar semelhante “camisola”, ao lado de artistas consagrados, com inteligência fora do vulgar e talento desmesurado, onde se encontram tanto actores e actrizes, como encenadores, dramaturgos, cenógrafos, figurinistas, maquilhadores, técnicos de luz e de som, etc.
Como celebração deste nosso aniversário teremos em palco (no Centro Cívico de Palmeira), entre os dias 10 de Abril e 29 de Maio, o nosso Festival de Teatro, aquele que será o 5º “FEST’ART – A Arte do Palco”. Serão dez espectáculos de várias companhias, incluindo a NCB em três ocasiões. Certamente provaremos que as minhas palavras elogiosas se reflectem na realidade.
Esperamos que possa estar connosco, e venha acompanhado, pois trabalhamos para o Teatro nosso, mas sobretudo seu e do nosso povo, e há sempre um lugar para si na nossa plateia.

Viva a Nova Comédia Bracarense!

Miguel Marado

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Nova Comédia Bracarense aberta a ti

O grupo de teatro amador Nova Comédia Bracarense, está aberto a novos actores para o seu grupo Juvenil, para iniciar uma nova fase no trabalho desta companhia.
Procuramos jovens entre os 16 e os 22 anos, com disponibilidade e com gosto por esta nobre arte.
Será dirigida uma formação inicial para estreantes nesta área da representação dirigida por mim, o novo encenador do grupo.
Se estás interessado em participar contacta nos através do mail ncbjovens@gmail.com ou através do nosso blog ncbjovens.blogspot.com.
Esperamos por ti, saudações teatrais.

Bruno Boss

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um novo desafio

Olá a todos! Este texto tem de ser encarado como um virar de página, no grupo juvenil da Nova Comédia Bracarense. Dirijo-me a vocês, caros cibernautas, como encenador da NCB.
Esta mudança no cargo da encenação, prende-se com o facto de o Miguel Marado, o antigo encenador como sabem, ter de deixar de colaborar com o grupo, por motivos do foro profissional, mais nomeadamente académicos. Por tudo o que ele fez pelo grupo, por tudo o que ele nos ensinou, pelo rigor e profissionalismo que sempre fizeram parte da atitude dele como encenador, por ter sido sempre presente e ter dado tudo por este grupo, desejo lhe as maiores felicidades e um grande OBRIGADO. Não nos podemos esquecer dele pois este grupo é uma conquista do Marado, e os seus valores e ensinamentos continuarão a fazer parte desta Companhia de Teatro.
Como é obvio uma mudança de encenador acarreta uma diferente forma de trabalho e de representação. Proponho uma dedicação muito forte a este grupo, naquilo que será para mim uma experiencia muito realizadora.
A minha experiencia teatral não é curta, comecei no 7 º ano (aproximadamente 8 anos) na escola Francisco Sanches, onde trabalhei em 5 diferentes representações ao longo de 3 anos. Com a minha entrada no secundário houve um interregno na representação, que foi retomada com um “remake” da peça ‘O auto das novíssimas barcas’ que teve um resultado fantástico, devido a este trabalho actores como Daniel Mendes Pereira, Tiago Pintas, Rui Lucas, Pedro Bafo, Cati Gonçalves e por fim eu mesmo, entraram na NCB como novos actores. Nesta lista de actores houveram até agora algumas desistências, sendo eu mesmo o único representante certo na NCB. A minha “carreira” na NCB já é relativamente bem sucedida, com 2 anos de representação, entre improvisos ou peças, com colaborações tanto no grupo juvenil como no sénior.
Embora a minha experiencia como encenador seja nula, a minha experiencia como actor, será uma preciosa ajuda neste novo desafio, que encaro sem pressão, sem criar grandes expectativas, não estou iludido em fazer um bom trabalho logo de inicio, mas tenho a certeza que vou trabalhar bem desde o inicio, porque o profissionalismo e auto-critica nunca deixaram de fazer parte deste grupo, e não é comigo que isso vai mudar.
Por fim venho convidar-vos para continuarem a acompanhar o nosso grupo, pois o nosso sucesso depende também de vocês. Espero que sejamos uma companhia assídua.
Saudações teatrais
Bruno Boss

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Novo "Comando", mesmo Blog


Olá!!! O meu nome é Liliana Ribeiro e, como maior parte sabe, sou actriz da Nova Comédia. Muitos de vocês já leram um pouco dos textos que eu escrevi neste blog; tentei mostrar um pouco de mim e trazer aqui temas novos ou pequenas reflexões sobre alguns temas que podem ter alguma coisa haver com o teatro.


Mas não é disso que eu vim aqui falar: como toda gente sabe é o Miguel Marado que “ manda” e organiza este blog de modo a nunca perder o seu interesse, de modo a ter sempre coisas novas e cheias de qualidade. Este, por motivos pessoais e profissionais, vai ter que ser ausentar dessa função. Devem-se todos perguntar porque estou aqui a falar deste assunto, mas eu vou esclarecer: o Miguel Marado fez-me a proposta de ficar ao “comando” do blog do Grupo de Jovens. Confesso que ao princípio estava pouco tentada aceitar este desafio, pois como sabem este blog já habituou os nossos visitantes a um grande nível de qualidade e profissionalismo que eu tinha medo de não conseguir concretizar, mas aqui estou eu de alma e coração pronta para aceitar este desafio e dar o melhor de mim. Espero conseguir manter este nível e ao mesmo tempo espero poder melhorar (se é que há algo a melhorar); espero conseguir trazer algo de novo também para aliciar mais o nosso público a vir e também a ver os nossos textos, que não são mais que pequenos temas do nosso interesse e que esperamos que vos interesse também.

Não quero ser perfeita mas gostava de chegar ao fim e dizer que dei o meu melhor, espero aprender com os meus erros e melhorar. Também conto com vocês que nos estão a ler para me ajudar, gostava de saber as vossas opiniões em relação ao blog e o que futuramente gostavam de ver.

Nós não estamos aqui para agradar todos, mas novas ideias são sempre bem-vindas neste espaço. Espero que também compreendam neste primeiros tempos caso haja algum erro e me ajudem a melhorar, quer sejam colaboradores deste blog, quer sejam só meros e fiéis leitores que gostavam que fosse melhor. Eu prometo dar o meu máximo, como quando estou em cima de um palco, e ser ao mesmo tempo eu mesma.

Obrigada pelo vosso apoio desde já e Viva o Teatro!

Com os meus melhores cumprimentos,

Liliana Ribeiro (actriz e pseudo-bloggista)

terça-feira, 28 de julho de 2009

www.NCB-teatro.com - Um convite


Ser activo, empreendedor, comunicativo, interactivo, adepto da evolução, do progresso, da actualização e da aprendizagem, cultivando-se a si próprio, contrapondo a estagnação, o desinteresse, algumas perigosas visões conservadoras (por serem óptimas candidatas à ascensão a retrógradas), são algumas das qualidades que, pessoalmente, mais aprecio. Como me solicitaram a escrita deste texto, mesmo que não se identifiquem com a ideia, façam o favor de me seguirem...


Fui surpreendida, na passada semana, pela boa nova de que a nossa NCB tem uma nova casa virtual. No universo que é a Internet, o World Wide Web (em português, Rede de Alcance Mundial), tenho, hoje, aqui e agora, o prazer de vos convidar a visitar a nossa casa nova. Visualizem um convite comum, palpável, num papel com gramagem 120 e com a dimensão de um flyer também ele vulgar; de um lado, a data do evento, do outro, o croquis (provavelmente realizado com a preciosa ajuda do GoogleMaps, só para atestar a importância das ferramentas online na actualidade). Agora imaginem que a nossa festa não tem dia nem hora marcados, ou melhor, imaginem que pode acontecer todos os dias e a todas as horas, quando vos for mais conveniente. É esse o convite que vos faço, hoje, aqui e agora. A morada (no sentido livre e literal do termo, neste caso) é www.NCB-teatro.com e é com admiração pelo grupo e com algum orgulho, confesso (quem não gosta de ter uma casa nova, principalmente não tendo de executar a árdua tarefa das mudanças?), que vos mostro a porta, o hall de entrada, nesta primeira imagem. Uma das principais divisórias/espaços interiores: a agenda, figura, na segunda imagem. Para que serve isto? Espero eu que para cumprir o objectivo primordial de qualquer convite – que apareçam! Porque, como tentei transparecer, na minha modesta opinião, a construção desta nova casa não tem, à partida, qualquer aspecto negativo (nem pagamos as deslocações, vejam lá!). Assim sendo, fruto do desenvolvimento da NCB (em sintonia com o primeiro parágrafo escrito), é com muito boa disposição, sonhando que venha a conquistar um Alcance Mundial, que afirmo, hoje, aqui e agora: BEM-VINDOS À NOSSA NOVA CASA!

Joana Raquel Antunes

terça-feira, 21 de julho de 2009

Entrevista a Miguel Araújo - criador da página oficial www.NCB-teatro.com



O Miguel Araújo construiu há cerca de 2 meses a nova página oficial da Nova Comédia Bracarense, além de ser membro dos orgãos sociais e actor da nossa Companhia, já há alguns anos. Recentemente, tem também colaborado para a filmagem dos nossos vídeos em HD, para este blog.

Entrevistado pelo Bruno Boss, este artista falou-nos desta nova página, dos seus objectivos, das suas características, das exigências e premência da sua criação, do seu público-alvo, etc.; fez também uma breve apreciação deste blog.

Veja o 27º vídeo do Canal YouTube NCB, novamente em HD.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Se pudesses ter um mentor, quem seria?

Confesso que escrever o texto que se segue não foi a tarefa mais fácil com que me deparei. A página branca e o cursor intermitente assustaram-me, ao passo que me desafiavam, durante aproximadamente uma hora. Nessa hora, reli textos de colegas e amigos, pensei em tudo o que o teatro foi para mim enquanto espectadora e reflecti no que com ele cresci no meu pequeno percurso enquanto actriz. No final dessa hora a página permanecia branca e o cursor continuava na sua brincadeira despreocupada, aparecendo e desaparecendo, quase como que marcando o ritmo dos meus pensamentos e da minha indecisão relativamente ao que escrever.

O teatro tem vindo a ser uma constante na minha vida há já alguns anos. Nove, talvez. Segui sempre de perto o percurso daquele que introduziu o teatro na minha vida, o meu irmão, Miguel Marado. Desde peças na escola básica, às produções da escola secundária, até ao árduo trabalho na Nova Comédia Bracarense, inicialmente enquanto actor, mais tarde como encenador. Durante anos sentei-me na plateia, nas primeiras filas, tentando não perder o meu lugar de fã número 1 da pessoa que sempre me inspirou a crescer. Fui sonhando, fui vibrando. Cheguei até a imaginar que não era a Ana Miguel sentada naquela cadeira desconfortável, mas antes que podia ser o que quisesse, podia levantar-me e ser cantora, médica, boa amiga e até uma dama rica, como aquelas que via pisarem o palco. Assisti à transformação das pessoas que conhecia, familiares e amigos, em pessoas totalmente diferentes, encarnando personagens mirabolantes, sendo livres dentro delas para as fazer crescer, transformar, suceder nos desafios que se lhes deparavam ao longo do desenrolar da trama. Sonhava em silêncio poder ser uma dessas pessoas, ter a oportunidade de subir a um palco e encarnar uma personagem e amadurecê-la, amadurecendo com ela. O silêncio, esse, era provocado pela vergonha, pelo medo de falhar, por falta de confiança em mim mesma e acima de tudo, por medo de desiludir o maior amante de teatro de amadores que alguma vez conheci, o meu irmão.

Então, recentemente, um convite pôs fim ao meu silêncio e abriu as asas do meu sonho, permitindo que este voasse. Foi-me dirigido um convite para integrar o elenco da mais recente produção do grupo, “A Divisão”. O medo assolou-me o espírito e acompanhou-me na leitura da obra, cujo enredo me prendeu e conquistou à partida. Iniciei uma análise da personagem que deveria trabalhar e desde logo me identifiquei com ela, a Paula, sobrinha de Jonas Montenegro, jovem simples com uma enorme força e responsabilidade. A decisão de finalmente abraçar, após todos estes anos de espera, um projecto teatral chegou como resultado a uma frase que ainda hoje é fonte da força que me permite continuar um árduo trabalho – “Se não te achasse capaz, não te convidava.”. Estas palavras proferidas pelo nosso encenador entoaram na minha cabeça nos breves segundos que o meu cérebro levou a produzir a mera afirmação “Sim, aceito.”, que veio mudar a minha vida.

Hoje, após meses de ensaio, nervosismo de decorar texto, dificuldade em compreender a personagem em todas as suas particularidades e características, ansiedade da estreia, e ansiedade acrescida de voltar a levar a palco uma produção que, humildemente digo, teve um sucesso satisfatório na estreia, agradeço a todos os meus colegas que comigo pisaram o palco (Liliana, Boss, Bafo, Lucas, Joana, Nela, Nuno e Pintas), a todos os amigos que me apoiaram com as suas palavras de força e a sua presença no momento da grande estreia, mas agradeço acima de tudo ao meu encenador, irmão e amigo, Miguel Marado, por ser um exemplo, tanto na vida como no percurso teatral.

E citando-o, na primeira publicação deste nosso cantinho, “Pensei em pensar, ao escrever este texto, mas senti que devia sentir”, despeço-me agradecendo por lerem mais um desabafo, porque, afinal de contas, não podemos separar emoções da arte de representar.


Ana Miguel Marado

terça-feira, 7 de julho de 2009

Resultados e discussão da sondagem do mês de Junho

Após ter recentemente escrito outros dois textos, após um ano de interregno, tenho um terceiro e último, até que seja novamente ultrapassado o meu “record” de textos escritos nesta página. Não me agrada pessoalmente esse protagonismo, símbolo de falhas de profissionalismo e ética de outros, e de excesso de disponibilidade minha.

Volto a escrever por ser da minha autoria a sondagem passada, na qual considerei ser relevante rever o interesse dos visitantes pelos diferentes conteúdos aqui apresentados. Para mim, um aniversário ou qualquer outra marca de relevo é uma boa oportunidade para rever conceitos e objectivos, de forma a melhorar sempre. É o que julgo ser profissional e eticamente perfeito. Assim, perguntei aos visitantes que preferência têm dentro da variedade de posts publicados no nosso blog NCBjovens.

Os resultados foram, na minha perspectiva, surpreendentes, e não correspondem à “hipótese” que tinha ao partir para a redacção da sondagem. Esperava que fossem as entrevistas, que não exigem tanta concentração da parte dos visitantes, que facilmente se podem medir, de acordo com o seu interesse relativo, após a visualização de alguns segundos. As fotografias poderiam intrometer-se, mais uma vez pela componente visual e por serem mais simples de ler, pela leveza e escassez dos comentários, que não são o principal desses posts.

No entanto, a “grande vencedora” foi a categoria mais antiga e mais clássica, o “texto de temas variados”, o que para mim é uma vitória, não das expectativas algo negras, mas do que sempre acreditei ter mais valor nesta página, como o meu antepenúltimo texto realça. Com 60% dos votos, mais de metade dos visitantes que se dignaram votar nesta sondagem apoiaram os textos de tema livre.

As categorias que eu previa serem mais votadas, “comentário a fotografias” e “entrevistas a personalidades da NCB e amigos da nossa Companhia” quedaram-se com 20% cada, não atingindo sequer metade da preferência dos visitantes, conjuntamente. Isto poderá dever-se ao facto dos textos de tema livre tenderem à variedade e à expressão de originalidade da parte dos autores, enquanto as entrevistas são algo limitadas, por serem mais interessantes para o consumo interno do que para o público, que “desconhece” os artistas a quem damos o protagonismo (não há vedetismo no Teatro de amadores…); além disso, os entrevistadores não são qualificados, pelo que são as qualidades pessoais e as indicações de momento que potenciam o resultado final. Já as fotos têm outro problema crónico, o da sua repetição. Esta “repetição” não é literal, não publicamos duas vezes qualquer foto, mas há dificuldade em encontrar variedade de temáticas, o que limita também os comentários, como é evidente.

A grande derrota pessoal que tenho, ao ler os resultados desta sondagem, prendem-se com a apreciação do público às mesmas, indignas de granjear qualquer voto. Ninguém se dignou escolher “conclusões das sondagens mensais” como categoria favorita. Não sei o que esperava desta categoria, mas certamente não esperava que fosse ignorada. A cada vez menor participação dos visitantes indica que há um crescente desinteresse pela votação que temos sempre no NCBjovens. Creio que hoje em dia é muito relevante também a crescente despreocupação das pessoas com o manifestar público e vinculativo da sua opinião, o que é sublinhado pela falta de participação cívica, em manifestações públicas ou em eleições. Temos tentado pôr aqui as questões que gostávamos que nos colocassem a nós, se estivéssemos no lugar do visitante comum. Possivelmente teremos falhado. Caso contrário, as pessoas não têm opinião. Uma docente universitária que tive fez um dia questão de sublinhar que “só os burros é que não têm opinião”. Acrescento que quem se está puramente a borrifar para as questões também não as terá. De qualquer modo, “a ignorância é uma bênção”, aparentemente.

Penso que é natural o último resultado, com 0% mais uma vez, respeitante à resposta “não aprecia nenhum, são precisos mais/outros”, caso as pessoas não tenham, de facto, uma postura minimamente crítica, e digam apenas se o que comem hoje lhes sabe melhor do que o que comeram ontem, sem pensar no que poderiam deglutir de diferente. As sondagens foram esquecidas, mas não são tão más as suas apreciações que provoquem o desgosto e desilusão dos visitantes. Ou será que os desiludidos simplesmente deixaram de passar os olhos, esporadicamente, neste nosso sítio da Internet, não tendo votado negativamente por isso mesmo?

Espero que os textos de tema livre sejam cada vez mais e melhores. Talvez a aposta em objectos que apelassem mais à realização visual das expectativas dos leitores, com vídeos e fotos, não tenha sido assim tão feliz, apesar dos óptimos resultados dos vídeos, ultimamente. A participação das pessoas e a leitura desses resultados também não é o caminho, aparentemente. Talvez se deva tal ao facto de serem comummente secos e sem interesse esses comentários, pouco ligados a um pensamento aprofundado de interpretação de resultados.

Talvez o caminho seja a introdução de uma nova abordagem, com a criação de ficção, através de textos, vídeos e fotos, quiçá. Talvez os autores devessem deixar o seu cunho pessoal através de uma “coluna” regular, subjugada a uma paleta temática do seu interesse. Só uma reflexão verdadeiramente plural, que quanto a mim não tem existido, pode originar maior qualidade e, quem sabe, mais ambição.

O futuro deve e tem de ser digno do nome que trazemos na camisola: Nova Comédia Bracarense.

Miguel Marado

terça-feira, 30 de junho de 2009

Profissionalismo e ética no Teatro de amadores

Socorrendo-me mais uma vez da afamada Wikipedia, procurei a definição de "profissionalismo". Então encontrei, no Wiktionary (dicionário da Wikipedia), o seguinte: "the status, methods, character or standards of a professional or of a professional organization" (trad.: o estatuto, métodos, carácter ou requisitos de um profissional ou de uma organização profissional). Mas que é então um profissional, que obedeça a estes requisitos e estatuto?

Voltei à Wikipedia, que dá uma definição anglófona, na qual não me revejo, do termo. Descreve-o como correspondendo a profissionais com formação académica em cargos remunerados "importantes", trabalhadores de colarinho branco. Há, no entanto, uma expressão que prende a atenção: "Less technically, it may also refer to a person having impressive competence in a particular activity." (trad.: Dum ponto de vista menos técnico, pode também referir-se a uma pessoa que tenha uma competência impressionante numa determinada actividade.). Mais à frente surgem mesmo referências a "Profissionais amadores", definidos por Charles Leadbeater e Paul Miller como "people pursuing amateur activities to professional standards" (trad.: pessoas que praticam actividades amadoras cumprindo requisitos profissionais).

Sobre amadores, a Wikipedia define-os como pessoas que não recebem um ordenado por determinada actividade, para a qual não têm treino ou educação formal, apesar de poderem atingir elevadas competências. Distingue-os dos especialistas, que têm treino/estudo e provas dadas na matéria; também de profissionais, que recebem dinheiro por exercer a mesma actividade.

Muitas vezes, à falta de vocábulo melhor, refiro-me à necessidade de profissionalismo, à vontade de mostrar o profissionalismo, no Teatro de amadores. Digo Teatro de amadores, ao invés de "Teatro amador", simplesmente porque o Teatro, uma forma de arte com uma vasta história (e, quiçá, pré-história), não é profissional ou amador, é um conceito, não um indivíduo. Assim, não se pode dizer que "o Teatro hoje, no
Mimarte, foi fraco". Foram os artistas que fracassaram, não a Arte. Talvez o que se passou em dado palco não fosse sequer digno do epíteto "peça teatral", mas isso é outra estória.

O que me interessa hoje é definir os amadores, as suas limitações e horizontes no que toca ao profissionalismo e ética, porque todo o Teatro deve ser digno desse nome. Desde que faço Teatro que me causa impressão o modo como a definição de "amador" corresponde sempre à versão atlética da palavra, e não à artística. De facto, acho normal que um excelente futebolista, especialmente se tiver para tal tido treino, se torne profissional. É comensurável, de algum modo, a sua capacidade. Agora, quando entramos na profunda subjectividade que a Arte implica, não podemos dar o mesmo sentido à expressão.

Um amador, - de Teatro, por exemplo, - é um indivíduo cujos talento e criatividade podem ser tão grandes ou maiores do que os de alguém que seja pago para o fazer sistematicamente. Não há olheiros para nos contratarem para jogar no Benfica. Os amadores são os que amam, e como tal, é natural que a sua motivação e capacidade auto-didáctica sobressaiam. Sempre, desde o primeiro pisar de palco, que julguei profundamente necessária uma grande dose de profissionalismo no Teatro de amadores. Procurei incuti-lo em quem comigo se curzou, particularmente nos meus actores, e entristece-me a sua escassez; esta, porém, não justifica a aplicação da versão "desportiva" de amadorismo.

Quanto à ética, pode ser facilmente entendida como uma apreciação da moralidade de cada acção que tomamos, cada um de nós. No Teatro de amadores, será a observação do devido respeito por públicos, entidades, restantes artistas e pela Arte em si. É cristalino que, se falo em profissionalismo, certamente não me esqueço da ética profissional quando guardo na mala, antes de cada evento teatral, os bens essenciais para o mesmo, seja para um ensaio, representação, ou ainda simples participação como membro do público.

O público deve sempre exigir do elenco, e outros artistas que o rodeiam, um espectáculo competente, devotado à devida interpretação da mensagem imiscuida no texto dramático representado. Quando questionado acerca do profissionalismo do grupo que actuou, a resposta esperada tem que ser sempre a mesma, porque o contrário é não praticar Arte, não praticar Teatro. E uma resposta "simpática" e que tem em conta os estatutos dos artistas é faltosa ,no que respeita à ética do membro do público. Pouco importa ao público quanto paga ou quanto recebe cada artista envolvido. Ao artista tão-pouco deve importar. Deve estar a Arte na cabeça de todos.

Não pode, então, um amador de Teatro, ter atitude e ética profissionais? Mais ainda, não as deverá ter? Não deverá ser muito capacitado no seu trabalho de artista? Não deverá almejar a tornar-se um "profissional amador", cumprindo os requisitos profissionais, ainda que não seja especialista e não tenha as mesmas condições? Não deve o artista levar a bom porto o seu compromisso ético para com os camaradas de palco, o gentil público e a organização?

Sou, de facto, a favor de um comportamento que só poderá fortalecer o Teatro de amadores, porque esta nobre Arte o exige e porque um médico, ainda que fora do seu serviço e sem o equipamento necessário, não deixaria morrer alguém em sofrimento, só por não ser pago por isso.

O artista, tal como o médico, tem um importante dever social e ético, seja amador, especialista, ou profissional. Eduquem-se e esforcem-se em cada papel, caros amigos, pois é justa a exigência que sobre nós se abate. Se não vos preparastes para tal, escusai-vos de subir a palco, escusai-vos de debater o assunto, escusai-vos de respirar o ar puro, que tão rapidamente oxigena a massa encefálica destes profissionais que vos olham da boca de cena, dos que vos rodeiam, que nunca podereis compreender.

Caro membro do público, exija, como antes mencionei, profissionalismo dos que vão a palco, já que o "amadorismo" se deve limitar ao não receber no final do mês, não deve passar pela comparação entre alguém que anda de bicicleta ao fim-de-semana e outro que já ganhou o "Tour de France". A performance e competência artísticas de topo estão ao nosso alcance. Exija-as e visite-nos sempre!

Miguel Marado

terça-feira, 23 de junho de 2009

O Estado mais Puro da Arte

Consultando o nosso blog NCBjovens, essa criança que cumpriu recentemente o segundo aniversário, é fácil ignorar o subtítulo que desde que me recordo o acompanhou: "O Estado mais Puro da Arte". Houve uma altura na qual, não sei porque razão ou de quem partiu, nós achamos por bem ter esse lema para este Grupo Juvenil NCB. Penso que, na maioria das ocasiões, cumprimos essa premissa, mantendo a Arte teatral num horizonte próximo, que influenciou o que é, na minha opinião, trabalho, acima de tudo: a produção de peças/projectos teatrais.

Consultando a Wikipedia, na versão inglesa (porque de facto, e com todo o respeito, não lido bem com o persistente "sotaque" da versão "portuguesa"), li o que procurava em "Art", uma expressão interessante: "Generally, art is made with the intention of stimulating thoughts and emotions" (Trad.: "Na generalidade, a arte é criada com a intenção de estimular pensamentos e emoções"; negrito meu). Sem ser muito profunda na exploração do que a arte é (questão por demais conturbada e longa), esta frase diz muito do que eu entendo ser a Arte e o que temos vindo a fazer enquanto artistas que, antes de tudo, somos ou devemos ser. Isto passa muito pelo blog e pelo que aqui temos escrito.

Como devem calcular, serei certamente o mais atento leitor deste cantinho da web, por editar os textos e tomar grande parte das decisões que aqui se reflectem, que ocuparam grande parte dos meus últimos dois anos (senão quatro, contando com o tempo no qual tenho vindo a orientar o grupo), particularmente no que diz respeito a pensamentos e, quiçá sobretudo, emoções. Assim, apesar deste forte viés, posso afirmar que aqui encontramos parte do "estado mais puro da Arte". O que agora me proponho fazer é eleger alguns dos melhores momentos (leia-se "textos") que traduziram a Arte (e por vezes a Ciência) desta já longa página com dois anos de idade.

Ninguém que tenha lido os meus comentários com alguma frequência (é fácil, dado que comummente são os únicos) estranhará que a minha escritora favorita no blog seja a Joana Raquel Antunes. Comecemos então por ela, nesta curta viagem. O excelente texto "Eu?" permite-nos constatar a potencial veracidade de uma crítica que por vezes lhe foi, entre dentes, lançada: extensivo uso de linguagem técnica da Psicologia. Discordo e recomendo este texto sobre interpretação, muito bem conseguido. Noutro tom reside o texto "Cinderela à meia-noite menos dez...", muito mais recente, que não tem qualquer aspecto técnico. É uma pura janela da alma, que me faz lembrar porque me "apaixono" tão facilmente pelas obras desta artista, que já me "conquistou" em vários palcos, dentro e fora do sentido figurado.

Outra escritora muito próxima do meu coração é a Liliana Ribeiro, muito mais capaz no raciocínio do que na expressão escrita do mesmo, mas ainda assim deliciosa. Vou novamente pegar num dos primeiros e no último texto desta artista. "Técnicas do Teatro e a sua utilização no nosso dia-a-dia" é o que o título indica, um enumerar de mais-valias que o Teatro proporciona, mostrando a atenção e dedicação da que foi por vós nomeada "Melhor Actriz do Festival da Maioridade" o ano passado, exactamente por essas qualidades. Já o "Medo de ser diferente!!" continua a advogar as mais-valias do Teatro, mas demonstrando uma capacidade de dissecar a nossa cultura e sociedade, particularmente no que a jovens diz respeito. Textos que não fogem ao tema: Teatro e o forte amor desta artista por esta nobre Arte.

Um autor que não pode ser ignorado é (sou)... eu próprio. O primeiro texto deste blog pertence-me e é emoção pura. Sou uma pessoa que mistura a racionalidade que advogo com o lado emocional que sempre me perseguiu. Desta vez cedi a este último: "Nova Comédia Bracarense, desde 1990". Como arqueólogo que sou, cedi também ao lado de "revisão" da realidade, revisitando e relatando o que se passou, como acontece em vários textos. Recomendo um que marca a nossa história: "O Festival da Maioridade - um balanço".

Quanto ao meu amigo, e amigo deste blog e do nosso grupo, o Pedro Oliveira, vou salientar o primeiro texto, que marca o tipo de argumentação e raciocínio por ele aqui desenvolvidos. "Braga teatral?" é agressivo, provocativo e, acima de tudo, realista. Traz uma perspectiva exigente dum homem que faz parte das pessoas que acredita no trabalho e na verdadeira conquista de um lugar ao sol, ao invés de uma gestão corrente permeável a propostas duvidosas, que caracteriza o nosso país e mundo em geral.

O Diogo Ferreira trouxe-nos sempre um tom divertido e tradutor da criatividade deste autor, que aqui honrarei com a menção de dois textos. O primeiro foi de facto o seu primordial contributo: "Nova Companhia na Companhia", no qual explora a entrada de novos membros no Grupo Juvenil, transparecendo o espírito de grupo de toda a equipa. O segundo publicou-se pouco após, "Halloween", que nos traz a boa disposição e uma ligação teatral deste evento que está cada vez mais aqui.

Chegados aos mais recentes colaboradores (dentro dos que achei dignos de nota, claro), começo pelo Rui Lucas: este estudante de Jornalismo não hesitou em criticar a "falsa Arte", em "O que é um actor? Parece que há gente importante que não sabe!". Num estilo compulsivo e convincente, O Lucas mostra o que a Arte (não) é.

O Tiago Pintas mostra-nos em "O(s) público(s)" a mesma inteligência acutilante com que nos brindou n' "A Divisão", interpretando "Jonas". A sua leitura da importância de uma das nossas mais fortes paixões e obsessões, as plateias repletas, permite por momentos ler os olhos de desilusão de um qualquer actor defraudado, num mau dia para si ou da parte do público.

"A revolta do actor" fala de Teatro do Oprimido e traz-nos o Bruno Boss, que aqui mostra a sua capacidade de interpretar o que há de bom num género, de modo a trazê-lo para bem perto do coração do nosso público. De forma directa e de absorção rápida, este texto permite ao organismo assimilar com simplicidade uma ideia complexa e difícil de retratar. Digno dos mestres.

O Pedro Bafo, da mesma "fornada" que os últimos artistas mencionados, escreveu um hino à exigência que um artista deve ter de si próprio e do Grupo que o acompanha. "Um ano de NCB-Jovens" é um texto que soma um saldo positivo, mas se faz acompanhar de uma boa dose de auto-crítica e apreciação dos reais valores dos projectos tocados.

O mais recente texto do Pedro Kayak fala-nos do falecimento (bem como da vida) de Augusto Boal, "inventor" do Teatro do Oprimido. Um texto que revela o interesse do artista no Teatro e neste género, a sua capacidade de síntese e de honrar um seu mestre, num difícil e emocional momento. Recomendo-vos "A luta continua!" porque é verdadeira, em tantos aspectos, esta afirmação, e reveladora do espírito revolucionário e apaixonado do seu autor.

Assim vos li os melhores momentos, quanto a mim, deste work in progress que é o NCBjovens.blogspot. Demorou a consultar e redigir, mas ocorreu facilmente, com carinho, com alguma nostalgia e revisão de momentos piores e melhores. Um verdadeiro "trabalho de amor", tal como a Arte que aqui veiculamos. Deixe-se ficar, porque venha quem vier, aconteça o que acontecer, os jovens que tocaram, tocam e tocarão os palcos e os teclados com a grande e histórica Nova Comédia Bracarense e o seu Grupo Juvenil sempre serão dignos do rótulo "O Estado mais Puro da Arte".

Teatro, eu amo-te. E não estou sozinho...

NCB, sempre!

Miguel Marado

terça-feira, 16 de junho de 2009

Medo de ser diferente!!

O tema que eu vou propor pouco ou nada tem haver com o teatro, mas eu achei que era interessante fazer uma pequena abordagem. O medo de ser diferente na geração actual é algo que causa confusão. Ainda sou uma jovem adulta com os seus 23anos, pouco mais velha sou que esta geração, mas parecem todos réplicas uns dos outros, fazem os mesmos desportos, vestem as mesmas roupas: eu chamo a isto a “geração morangos com açúcar”. Claro que “quem sou eu?” para criticar estes jovens, eu também já fui uma adolescente irritante, com os meus ídolos.

Quando penso neste tema concluo que o teatro é uma maneira de cada um mostrar a sua individualidade, todos podemos ser aquilo que quisermos, podemos mostrar o que realmente somos. Acho que a geração de agora tem medo de seguir caminhos diferentes, de ter ‘hobbies’ diferentes dos seus amigos, com medo de não serem “fixes” o suficiente para ser aceite pelo resto das pessoas da sua idade. Se calhar este tema é um pouco controverso, mas agora todos querem ser actores e actrizes, não porque gostam de representar mas sim por querer ser famoso, querer ser igual a alguém que viu na televisão. O teatro amador não é para estas pessoas, nós damos o nosso sangue e suor, estamos quase sempre ocupados a fazer com que as coisas resultem para podermos estrear uma peça ou levar a peça a alguma localidade, nós não temos medo de ser diferentes, de mostrar coisas diferentes.

Falo no caso da NCB, pois como actriz sempre me ensinaram a não ter medo de aceitar um desafio com a cabeça erguida e só com um pensamento na mente: conseguir ultrapassar. Posso não ser conhecida como os actores da televisão, posso não ser famosa, mas sei o que é sentir o carinho do público, chegar ao fim de uma representação e pensar: “dever cumprido, hoje fomos espectaculares!”

Os jovens de agora cada vez praticam menos actividades culturais como música, teatro, ou mesmo a dança. Se calhar estou a ser injusta, mas isto é apenas um pequeno desabafo, não quero que as gerações mais novas sejam conhecidas só por causa dos “morangos”, dos “dzrt”, ou dessas coisas todos iguais. Comecem a fazer teatro, não tenham medo de ser diferentes, de explorar esse vosso lado criativo. Acredito que muitos têm capacidade para serem os melhores, aprender a gostar de actividades diferentes, não temos todos que ser réplicas. A diferença é boa, a diferença ajuda a evoluir, a pensar de maneira diferente. Posso não ser a melhor actriz, mas orgulho-me de ser diferente, de ter o meu jeito de representar, de dar um bocado de mim a cada personagem, de me sentir mais “crescida” depois de representar cada personagem. Todas as personagens acrescentam um pouco delas a ti.

Faz Teatro, aprende mais sobre ti mesmo, aprende a expressar-te.

Liliana Ribeiro

terça-feira, 9 de junho de 2009

Estreia do "Morgado de Fafe em Lisboa"

Aqui estão duas fotografias da estreia da nova peça, produzida e ensaiada pelo Grupo Sénior da NCB, “ O Morgado de Fafe em Lisboa”, numa excelente encenação de Fernando Pinheiro. A peça estreou no passado dia 19 de Abril no Grande Auditório do Parque de Exposições de Braga, conta já com duas representações, tendo sido a última no dia 29 de Maio na Maia. A história retrata as vivências de um Morgado rústico e provinciano que vai até Lisboa juntamente com o seu amigo deputado João Leite, visitar um Barão. Uma vez na capital o Morgado irá ser confrontado com os tramas de uma sociedade de elite, uma sociedade em que se privilegia os casamentos por conveniência e os interesses matrimoniais, mas onde o Morgado de Fafe irá ser fiel aos seus costumes e às suas origens. O Morgado de Fafe é interpretado por um dos mais experientes e conceituados actores da NCB, Diamantino Esperança.

Na primeira fotografia podemos ver a Baronesa (Ana Paula Leite) a refrescar-se com o seu leque, Proença (Miguel Marado) a jogar às cartas com o Barão (Vasco Oliveira), ao lado direito vemos Leocádia (Fátima Carvalho) a tocar piano para Pessanha (Manuel Barros).

Na segunda fotografia o Juiz (Bruno Boss) chega a casa do Barão onde ia apresentar o pedido de consentimento paternal para a independência legal da Leocádia, para ela poder casar com Soares (António Manuel).

Mais uma excelente peça trazida a cena pela NCB a que valerá bem a pena assistir.

Pedro Oliveira

terça-feira, 2 de junho de 2009

2º aniversário da página www.NCBjovens.blogspot.com - Entrevista com o seu coordenador, Miguel Marado



O Miguel Marado tem sido o principal responsável pela gestão e agendamento do blog, que ontem completou dois anos de existência (post original aqui), aliando essa função à da direcção do Grupo Juvenil da NCB. Também o Diogo Ferreira esteve na coordenação desta página, de meados a finais de 2007.

O Tiago Pintas perguntou-lhe o que levou à criação deste blog, como se ordena o agendamento deste, qual é a sensação de gerir esta página, que balanço se faz destes dois anos, se a diversidade actualmente existente nas publicações é suficiente, etc.

Um vídeo que congratula o nosso trabalho dos últimos 24 meses, acompanhando os restantes 25 no Canal YouTube NCB.

A nossa sondagem de Junho tem também o tema do aniversário do NCBjovens.blogspot. Vote ao lado:
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terça-feira, 26 de maio de 2009

A luta continua!

«O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'.» Augusto Boal

Recentemente fui convidado pela Associação de apoio à saúde mental “O Salto” para fazer com os seus usuários o Teatro do Oprimido. Augusto Boal, o fundador deste método teatral, criou alguns jogos teatrais específicos para esta área, reunidos no seu livro “Arco-íris do Desejo”, que se pretendem como libertadores de opressões. Estes mesmo jogos são definidos como um conjunto de técnicas terapêuticas e teatrais, adequadas para a análise de questões interpessoais e/ou individuais. Para Boal, usa-se o teatro como veículo da análise em grupo dos problemas relacionais e pessoais que pode ser usado tanto para o conjunto do Teatro do Oprimido e seus propósitos como na terapia em instituições para tratamento psiquiátrico.

Bem sei que me tenho vindo a repetir nos meus artigos sobre este meu teatrólogo fetiche mas serei incapaz de dar um único passo “teatral” sem recordar aquele que é o meu farol. Se só agora se começa a olhar para a doença mental como algo que não pode ficar enclausurado na estigmatização da sociedade, então Boal teve a clarividência de apontar esse defeito muito mais cedo a quando da publicação do seu livro, em cima destacado, em 1990. E é precisamente isso que me faz ter esta fome de Augusto Boal. Não se conhece nenhuma outra pessoa ligada ao teatro que tanto quis fazer pela participação das pessoas neste mundo da representação, por simplesmente achar que tod@s podem fazer parte do palco para sua satisfação pessoal e transformação social. Poderíamos dizer que o Moreno, também muito ligado à psicologia, salvaguardou esta necessidade de libertação através do psico-drama. Mas Boal foi mais longe e não se conformou apenas pelo indivíduo mas também pela mudança social.

Fiz esta pequena introdução para dar uma notícia triste. Provavelmente é do conhecimento de tod@s mas penso que nunca será demais prestar a devida homenagem, que para mim será sempre demasiado pequena, a Augusto Boal. Morreu aos 78 anos, no Rio de Janeiro, a 2 de Maio de 2009. A sua biografia daria uma extensa obra literária. A quantidade de personalidades com que trabalhou e o número de dramaturgias e encenações que tem o seu legado levaria a que se escrevesse um texto bem mais extenso do que o necessário para o nosso blog. Mas para ficarmos com uma ideia, Boal trabalhou com Sábato Magaldi, outro teatrólogo de renome, também ensaísta, historiador e tantas outras coisas; Paulo Freire, um educador também muito famoso; Nara Leão; Maria Bethânia; Caetano Veloso; Chico Buarque; Gilberto Gil; Gal Costa e muit@s outr@s que não necessitam de apresentação para serem logo reconhecid@s.

Em 1971, Augusto Boal é preso e torturado pela Ditadura Militar e decide, a quando da sua libertação, deixar o Brasil. Por essa altura, percorre vários países, incluindo Portugal, de 1977 a 1979, onde se junta com o grupo de teatro “A Barraca” com quem faz uma das suas mais famosas peças “Mulheres de Atenas”, uma adaptação de Lisístrata, de Aristófanes, com músicas de Chico Buarque.

Voltou ao Brasil definitivamente em 1986 onde iniciou o plano piloto da Fábrica de Teatro Popular, que objectivava tornar acessível a qualquer cidadão a linguagem teatral. A partir daí cria o Centro de Teatro do Oprimido que se encontra hoje mais que divulgado por todo o mundo, incluindo pela Nova Comédia Bracarense, o que me deixa bastante orgulhoso.

Enquanto esteve no exílio, Chico Buarque escreveu-lhe a música-carta “Meu caro amigo” (vejam o vídeo aqui). Hoje canto-lhe a mesma música com a mesma interpretação que lhe foi dada na década de 70. Afinal, apesar dos nossos esforços, o mundo ainda não mudou assim tanto quanto queríamos mas isso nunca foi razão para Boal desistir e, portanto, para mim também não.

Pedro Kayak

terça-feira, 19 de maio de 2009

Fotos da estreia "A Divisão"


Foi de todo positiva a estreia da peça, já antes tão anunciada, “A Divisão”. Um empenho e dedicação geral resultaram no melhor dos trabalhos, que ainda assim promete continuar numa evolução bastante positiva.
Na foto, que apresenta o agradecimento dos actores ao afável público, encontramos os nove protagonistas. O elenco é composto pelos actores Nuno Araújo, Bruno Boss, Liliana Ribeiro, Pedro Bafo, Ana Miguel Marado, Sara Manuela Soares, Joana Barroso Magalhães, Tiago Pintas e Rui Lucas (da esquerda para a direita de palco, respectivamente).
Nas luzes e no som, não presente na foto, resguarda-se um membro importante do “elenco” de nome Miguel Marado, autor da peça e encenador deste jovem grupo.
As datas das próximas realizações desta peça serão brevemente indicadas.


Na fotografia presenciamos mais uma cena deste drama, um novo estilo adoptado pelo grupo juvenil da Nova Comédia Bracarense nestes últimos tempos. Os actores têm-se mostrado numa boa capacidade de adaptação aos diversos géneros teatrais, já caminharam sobre o Improviso, Teatro do Oprimido e agora também o drama.
Nesta cena da “Divisão” podem ver as personagens Fábia Grilo, Isaac Guerreiro (ambos no sofá) e Alberto Montenegro. Este, representado por Bruno Boss, é o personagem com mais intervenções em toda a peça.
Como podemos verificar nos olhares e postura dos actores ou nas sombras e luzes da sala, esta peça revela um nível de suspense acima da média.

Rui Lucas

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sondagem de Abril/2009

Olá a todos mais uma vez. Há um mês atrás tive a oportunidade de propor a habitual sondagem mensal deste blog. O desinteresse da sociedade pelo teatro é algo de que todos nos apercebemos e procurei então junto de vocês, leitores deste blog, tentar perceber se “a realização de mais peças de teatro nas escolas” poderia aumentar esse interesse.

O resultado da sondagem faz-me chegar à conclusão de que todos concordamos de que aquela pode ser uma medida a tomar, por forma a fomentar na sociedade o gosto e o interesse pelo teatro, uma vez que a opção de resposta “Não” teve a percentagem de 0% dos votos.
Já as outras respostas tiveram percentagens não muito distantes entre si. 42% dos votantes pensam que a médio prazo a realização de tais peças pode de facto aumentar o interesse da sociedade por esta nobre arte, enquanto que 33% pensam que essa medida só poderá aumentar o interesse a longo prazo. Ou seja de uma forma ou de outra, mais de metade dos votantes acreditam que esta medida pode, de facto, ajudar a que o teatro não “morra”.

Os restantes 25% dos votantes são um pouco mais sépticos quanto à verdadeira eficácia desta medida, pois, embora concordem que esta medida pode ter sucesso, acham que esse sucesso dependerá da organização com que se fará a realização dessas peças.

Numa opinião pessoal, eu estou mais de acordo com estes 25%, pois estou em crer que uma má organização das peças de teatro, assim como uma má realização, levará ainda mais ao desinteresse da sociedade pelas mesmas, uma vez que ninguém gosta de assistir a espectáculos de fraca qualidade. Muitas pessoas afirmam que o desinteresse que se tem gerado à volta do teatro parte de um problema de qualidade que o mesmo tem, algo com o qual não posso concordar. Penso que o teatro está servido de actores espectaculares e de peças apaixonantes, mas infelizmente hoje em dia dá-se mais valor a novelas de péssima qualidade, nacionais e estrangeiras, do que ao esforço, qualidade e dedicação de muitos grupos de teatro, que vivem numa constante luta pela sobrevivência dos mesmos e da arte do teatro, especificamente.

Se o objectivo desta sondagem era chegar a uma pequena conclusão sobre a eficácia da medida proposta, acho que a mesma ficou mais que provada, mas para que de facto possa ser possível a realização deste tipo de medidas não basta o querer, é preciso agir, e todos juntos temos de lutar por alertar as pessoas que realmente podem tornar estas medidas reais a fazer algo pelo teatro, pois corremos o sério risco de vir a perder esta que é umas das mais antigas artes do mundo.

Pedro Bafo

terça-feira, 5 de maio de 2009

Entrevista a José Manuel Barros - Actor e dramaturgo da NCB



O José Manuel Barros é um experiente actor da NCB que já deu alguns passos na área da escrita, não olvidando a vertente dramática. Tem acompanhado desde cedo o Grupo Juvenil e aconselhado o nosso encenador, Miguel Marado, além de outros artistas.

A Sara Manuela perguntou-lhe como chegou à Nova Comédia; qual a sensação de estar à 12 anos nesta Companhia; qual a sua experiência a nível da escrita; qual a sensação de escrever e estrear a comédia "O Bom Patife" com a NCB, entre outras coisas.

Mais um vídeo imperativo, pelo que temos já 25 no Canal YouTube NCB. Este é apenas o 2º vídeo em HD.

Deixe a sua opinião na nossa sondagem de Maio, na barra lateral:
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terça-feira, 28 de abril de 2009

Cinderela à meia-noite menos dez...

Assim me sinto, qual princesa no seu conto de fadas, ou qual fada no seu reino de princesas, num misto de angústia e adrenalina, próprio de quem está prestes a cortar a meta. Qual meta?, questionam vocês. Isso não vou partilhar... Obrigada Joana!, exclamam... Assim sendo, sentem-se no direito de pensar, ou até mesmo verbalizar, que não têm nada a ver com isto e que não querem saber deste pormenor da minha existência actual para rigorosamente nada... Têm razão, mas precisava de partilhar, porque às vezes faz(-nos) bem ser um pouco egoísta(s). O estranho? Gosto da sensação, quase aflitiva é certo, de estar quase. A diferença? Ponto positivo: a Cinderela não tinha conhecimento de que faltavam dez minutos (ou se calhar até tinha - a fada madrinha não se olvidaria de tão interessante pormenor: uma infalível maquinaria revestida de um esteticamente perfeito adereço de pulso, dotado de diamantes e pedras preciosas, brilhantes, muito brilhantes... um relógio, em suma – mas não antecipava o que viria a suceder à meia-noite). No meu caso, eu sei que está quase, para o bem e para o mal somos animais racionais, já afirmava uma antiga professora. Ponto negativo: como não poderia adivinhar, foi apanhada de surpresa, não teve oportunidade de desenvolver expectativas nem de se proteger; foi pena... Teria revelado ao príncipe as suas verdadeiras origens e raízes e pouparia, assim, futuros dissabores? Nunca se saberá...

Confesso que esta ideia da
Cinderela à meia-noite menos dez (mais ou menos plagiada) me conquistou e, neste momento, consigo ver uma forma de a aplicar a este contexto (finalmente, admitam). Tudo porque, no passado sábado, encontrei a Liliana que, entre outros assuntos, mencionou o “nervosismo” (prefiro ansiedade, vá lá perceber-se porquê...) sentido imediatamente antes de entrar em palco. Para mim, Cinderela agora por direito e dever, é o quase tudo e o quase nada, a ambivalência do querer e não querer, do evitar e enfrentar, do egoísmo e do reconhecer o grupal como prioridade... Se quiserem despender parte de uns quaisquer dez minutos prévios a uma qualquer meia-noite para partilhar o que sentem quando está quase, sintam-se à vontade... Sim, sintam-se, porque hoje apeteceu-me “falar” disto, de sensações, emoções... Raro, julgam(-me) vocês? Muito provavelmente, remato eu...

Obrigada pelo vosso tempo...

Joana Raquel Antunes