terça-feira, 28 de julho de 2009

www.NCB-teatro.com - Um convite


Ser activo, empreendedor, comunicativo, interactivo, adepto da evolução, do progresso, da actualização e da aprendizagem, cultivando-se a si próprio, contrapondo a estagnação, o desinteresse, algumas perigosas visões conservadoras (por serem óptimas candidatas à ascensão a retrógradas), são algumas das qualidades que, pessoalmente, mais aprecio. Como me solicitaram a escrita deste texto, mesmo que não se identifiquem com a ideia, façam o favor de me seguirem...


Fui surpreendida, na passada semana, pela boa nova de que a nossa NCB tem uma nova casa virtual. No universo que é a Internet, o World Wide Web (em português, Rede de Alcance Mundial), tenho, hoje, aqui e agora, o prazer de vos convidar a visitar a nossa casa nova. Visualizem um convite comum, palpável, num papel com gramagem 120 e com a dimensão de um flyer também ele vulgar; de um lado, a data do evento, do outro, o croquis (provavelmente realizado com a preciosa ajuda do GoogleMaps, só para atestar a importância das ferramentas online na actualidade). Agora imaginem que a nossa festa não tem dia nem hora marcados, ou melhor, imaginem que pode acontecer todos os dias e a todas as horas, quando vos for mais conveniente. É esse o convite que vos faço, hoje, aqui e agora. A morada (no sentido livre e literal do termo, neste caso) é www.NCB-teatro.com e é com admiração pelo grupo e com algum orgulho, confesso (quem não gosta de ter uma casa nova, principalmente não tendo de executar a árdua tarefa das mudanças?), que vos mostro a porta, o hall de entrada, nesta primeira imagem. Uma das principais divisórias/espaços interiores: a agenda, figura, na segunda imagem. Para que serve isto? Espero eu que para cumprir o objectivo primordial de qualquer convite – que apareçam! Porque, como tentei transparecer, na minha modesta opinião, a construção desta nova casa não tem, à partida, qualquer aspecto negativo (nem pagamos as deslocações, vejam lá!). Assim sendo, fruto do desenvolvimento da NCB (em sintonia com o primeiro parágrafo escrito), é com muito boa disposição, sonhando que venha a conquistar um Alcance Mundial, que afirmo, hoje, aqui e agora: BEM-VINDOS À NOSSA NOVA CASA!

Joana Raquel Antunes

terça-feira, 21 de julho de 2009

Entrevista a Miguel Araújo - criador da página oficial www.NCB-teatro.com



O Miguel Araújo construiu há cerca de 2 meses a nova página oficial da Nova Comédia Bracarense, além de ser membro dos orgãos sociais e actor da nossa Companhia, já há alguns anos. Recentemente, tem também colaborado para a filmagem dos nossos vídeos em HD, para este blog.

Entrevistado pelo Bruno Boss, este artista falou-nos desta nova página, dos seus objectivos, das suas características, das exigências e premência da sua criação, do seu público-alvo, etc.; fez também uma breve apreciação deste blog.

Veja o 27º vídeo do Canal YouTube NCB, novamente em HD.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Se pudesses ter um mentor, quem seria?

Confesso que escrever o texto que se segue não foi a tarefa mais fácil com que me deparei. A página branca e o cursor intermitente assustaram-me, ao passo que me desafiavam, durante aproximadamente uma hora. Nessa hora, reli textos de colegas e amigos, pensei em tudo o que o teatro foi para mim enquanto espectadora e reflecti no que com ele cresci no meu pequeno percurso enquanto actriz. No final dessa hora a página permanecia branca e o cursor continuava na sua brincadeira despreocupada, aparecendo e desaparecendo, quase como que marcando o ritmo dos meus pensamentos e da minha indecisão relativamente ao que escrever.

O teatro tem vindo a ser uma constante na minha vida há já alguns anos. Nove, talvez. Segui sempre de perto o percurso daquele que introduziu o teatro na minha vida, o meu irmão, Miguel Marado. Desde peças na escola básica, às produções da escola secundária, até ao árduo trabalho na Nova Comédia Bracarense, inicialmente enquanto actor, mais tarde como encenador. Durante anos sentei-me na plateia, nas primeiras filas, tentando não perder o meu lugar de fã número 1 da pessoa que sempre me inspirou a crescer. Fui sonhando, fui vibrando. Cheguei até a imaginar que não era a Ana Miguel sentada naquela cadeira desconfortável, mas antes que podia ser o que quisesse, podia levantar-me e ser cantora, médica, boa amiga e até uma dama rica, como aquelas que via pisarem o palco. Assisti à transformação das pessoas que conhecia, familiares e amigos, em pessoas totalmente diferentes, encarnando personagens mirabolantes, sendo livres dentro delas para as fazer crescer, transformar, suceder nos desafios que se lhes deparavam ao longo do desenrolar da trama. Sonhava em silêncio poder ser uma dessas pessoas, ter a oportunidade de subir a um palco e encarnar uma personagem e amadurecê-la, amadurecendo com ela. O silêncio, esse, era provocado pela vergonha, pelo medo de falhar, por falta de confiança em mim mesma e acima de tudo, por medo de desiludir o maior amante de teatro de amadores que alguma vez conheci, o meu irmão.

Então, recentemente, um convite pôs fim ao meu silêncio e abriu as asas do meu sonho, permitindo que este voasse. Foi-me dirigido um convite para integrar o elenco da mais recente produção do grupo, “A Divisão”. O medo assolou-me o espírito e acompanhou-me na leitura da obra, cujo enredo me prendeu e conquistou à partida. Iniciei uma análise da personagem que deveria trabalhar e desde logo me identifiquei com ela, a Paula, sobrinha de Jonas Montenegro, jovem simples com uma enorme força e responsabilidade. A decisão de finalmente abraçar, após todos estes anos de espera, um projecto teatral chegou como resultado a uma frase que ainda hoje é fonte da força que me permite continuar um árduo trabalho – “Se não te achasse capaz, não te convidava.”. Estas palavras proferidas pelo nosso encenador entoaram na minha cabeça nos breves segundos que o meu cérebro levou a produzir a mera afirmação “Sim, aceito.”, que veio mudar a minha vida.

Hoje, após meses de ensaio, nervosismo de decorar texto, dificuldade em compreender a personagem em todas as suas particularidades e características, ansiedade da estreia, e ansiedade acrescida de voltar a levar a palco uma produção que, humildemente digo, teve um sucesso satisfatório na estreia, agradeço a todos os meus colegas que comigo pisaram o palco (Liliana, Boss, Bafo, Lucas, Joana, Nela, Nuno e Pintas), a todos os amigos que me apoiaram com as suas palavras de força e a sua presença no momento da grande estreia, mas agradeço acima de tudo ao meu encenador, irmão e amigo, Miguel Marado, por ser um exemplo, tanto na vida como no percurso teatral.

E citando-o, na primeira publicação deste nosso cantinho, “Pensei em pensar, ao escrever este texto, mas senti que devia sentir”, despeço-me agradecendo por lerem mais um desabafo, porque, afinal de contas, não podemos separar emoções da arte de representar.


Ana Miguel Marado

terça-feira, 7 de julho de 2009

Resultados e discussão da sondagem do mês de Junho

Após ter recentemente escrito outros dois textos, após um ano de interregno, tenho um terceiro e último, até que seja novamente ultrapassado o meu “record” de textos escritos nesta página. Não me agrada pessoalmente esse protagonismo, símbolo de falhas de profissionalismo e ética de outros, e de excesso de disponibilidade minha.

Volto a escrever por ser da minha autoria a sondagem passada, na qual considerei ser relevante rever o interesse dos visitantes pelos diferentes conteúdos aqui apresentados. Para mim, um aniversário ou qualquer outra marca de relevo é uma boa oportunidade para rever conceitos e objectivos, de forma a melhorar sempre. É o que julgo ser profissional e eticamente perfeito. Assim, perguntei aos visitantes que preferência têm dentro da variedade de posts publicados no nosso blog NCBjovens.

Os resultados foram, na minha perspectiva, surpreendentes, e não correspondem à “hipótese” que tinha ao partir para a redacção da sondagem. Esperava que fossem as entrevistas, que não exigem tanta concentração da parte dos visitantes, que facilmente se podem medir, de acordo com o seu interesse relativo, após a visualização de alguns segundos. As fotografias poderiam intrometer-se, mais uma vez pela componente visual e por serem mais simples de ler, pela leveza e escassez dos comentários, que não são o principal desses posts.

No entanto, a “grande vencedora” foi a categoria mais antiga e mais clássica, o “texto de temas variados”, o que para mim é uma vitória, não das expectativas algo negras, mas do que sempre acreditei ter mais valor nesta página, como o meu antepenúltimo texto realça. Com 60% dos votos, mais de metade dos visitantes que se dignaram votar nesta sondagem apoiaram os textos de tema livre.

As categorias que eu previa serem mais votadas, “comentário a fotografias” e “entrevistas a personalidades da NCB e amigos da nossa Companhia” quedaram-se com 20% cada, não atingindo sequer metade da preferência dos visitantes, conjuntamente. Isto poderá dever-se ao facto dos textos de tema livre tenderem à variedade e à expressão de originalidade da parte dos autores, enquanto as entrevistas são algo limitadas, por serem mais interessantes para o consumo interno do que para o público, que “desconhece” os artistas a quem damos o protagonismo (não há vedetismo no Teatro de amadores…); além disso, os entrevistadores não são qualificados, pelo que são as qualidades pessoais e as indicações de momento que potenciam o resultado final. Já as fotos têm outro problema crónico, o da sua repetição. Esta “repetição” não é literal, não publicamos duas vezes qualquer foto, mas há dificuldade em encontrar variedade de temáticas, o que limita também os comentários, como é evidente.

A grande derrota pessoal que tenho, ao ler os resultados desta sondagem, prendem-se com a apreciação do público às mesmas, indignas de granjear qualquer voto. Ninguém se dignou escolher “conclusões das sondagens mensais” como categoria favorita. Não sei o que esperava desta categoria, mas certamente não esperava que fosse ignorada. A cada vez menor participação dos visitantes indica que há um crescente desinteresse pela votação que temos sempre no NCBjovens. Creio que hoje em dia é muito relevante também a crescente despreocupação das pessoas com o manifestar público e vinculativo da sua opinião, o que é sublinhado pela falta de participação cívica, em manifestações públicas ou em eleições. Temos tentado pôr aqui as questões que gostávamos que nos colocassem a nós, se estivéssemos no lugar do visitante comum. Possivelmente teremos falhado. Caso contrário, as pessoas não têm opinião. Uma docente universitária que tive fez um dia questão de sublinhar que “só os burros é que não têm opinião”. Acrescento que quem se está puramente a borrifar para as questões também não as terá. De qualquer modo, “a ignorância é uma bênção”, aparentemente.

Penso que é natural o último resultado, com 0% mais uma vez, respeitante à resposta “não aprecia nenhum, são precisos mais/outros”, caso as pessoas não tenham, de facto, uma postura minimamente crítica, e digam apenas se o que comem hoje lhes sabe melhor do que o que comeram ontem, sem pensar no que poderiam deglutir de diferente. As sondagens foram esquecidas, mas não são tão más as suas apreciações que provoquem o desgosto e desilusão dos visitantes. Ou será que os desiludidos simplesmente deixaram de passar os olhos, esporadicamente, neste nosso sítio da Internet, não tendo votado negativamente por isso mesmo?

Espero que os textos de tema livre sejam cada vez mais e melhores. Talvez a aposta em objectos que apelassem mais à realização visual das expectativas dos leitores, com vídeos e fotos, não tenha sido assim tão feliz, apesar dos óptimos resultados dos vídeos, ultimamente. A participação das pessoas e a leitura desses resultados também não é o caminho, aparentemente. Talvez se deva tal ao facto de serem comummente secos e sem interesse esses comentários, pouco ligados a um pensamento aprofundado de interpretação de resultados.

Talvez o caminho seja a introdução de uma nova abordagem, com a criação de ficção, através de textos, vídeos e fotos, quiçá. Talvez os autores devessem deixar o seu cunho pessoal através de uma “coluna” regular, subjugada a uma paleta temática do seu interesse. Só uma reflexão verdadeiramente plural, que quanto a mim não tem existido, pode originar maior qualidade e, quem sabe, mais ambição.

O futuro deve e tem de ser digno do nome que trazemos na camisola: Nova Comédia Bracarense.

Miguel Marado

terça-feira, 30 de junho de 2009

Profissionalismo e ética no Teatro de amadores

Socorrendo-me mais uma vez da afamada Wikipedia, procurei a definição de "profissionalismo". Então encontrei, no Wiktionary (dicionário da Wikipedia), o seguinte: "the status, methods, character or standards of a professional or of a professional organization" (trad.: o estatuto, métodos, carácter ou requisitos de um profissional ou de uma organização profissional). Mas que é então um profissional, que obedeça a estes requisitos e estatuto?

Voltei à Wikipedia, que dá uma definição anglófona, na qual não me revejo, do termo. Descreve-o como correspondendo a profissionais com formação académica em cargos remunerados "importantes", trabalhadores de colarinho branco. Há, no entanto, uma expressão que prende a atenção: "Less technically, it may also refer to a person having impressive competence in a particular activity." (trad.: Dum ponto de vista menos técnico, pode também referir-se a uma pessoa que tenha uma competência impressionante numa determinada actividade.). Mais à frente surgem mesmo referências a "Profissionais amadores", definidos por Charles Leadbeater e Paul Miller como "people pursuing amateur activities to professional standards" (trad.: pessoas que praticam actividades amadoras cumprindo requisitos profissionais).

Sobre amadores, a Wikipedia define-os como pessoas que não recebem um ordenado por determinada actividade, para a qual não têm treino ou educação formal, apesar de poderem atingir elevadas competências. Distingue-os dos especialistas, que têm treino/estudo e provas dadas na matéria; também de profissionais, que recebem dinheiro por exercer a mesma actividade.

Muitas vezes, à falta de vocábulo melhor, refiro-me à necessidade de profissionalismo, à vontade de mostrar o profissionalismo, no Teatro de amadores. Digo Teatro de amadores, ao invés de "Teatro amador", simplesmente porque o Teatro, uma forma de arte com uma vasta história (e, quiçá, pré-história), não é profissional ou amador, é um conceito, não um indivíduo. Assim, não se pode dizer que "o Teatro hoje, no
Mimarte, foi fraco". Foram os artistas que fracassaram, não a Arte. Talvez o que se passou em dado palco não fosse sequer digno do epíteto "peça teatral", mas isso é outra estória.

O que me interessa hoje é definir os amadores, as suas limitações e horizontes no que toca ao profissionalismo e ética, porque todo o Teatro deve ser digno desse nome. Desde que faço Teatro que me causa impressão o modo como a definição de "amador" corresponde sempre à versão atlética da palavra, e não à artística. De facto, acho normal que um excelente futebolista, especialmente se tiver para tal tido treino, se torne profissional. É comensurável, de algum modo, a sua capacidade. Agora, quando entramos na profunda subjectividade que a Arte implica, não podemos dar o mesmo sentido à expressão.

Um amador, - de Teatro, por exemplo, - é um indivíduo cujos talento e criatividade podem ser tão grandes ou maiores do que os de alguém que seja pago para o fazer sistematicamente. Não há olheiros para nos contratarem para jogar no Benfica. Os amadores são os que amam, e como tal, é natural que a sua motivação e capacidade auto-didáctica sobressaiam. Sempre, desde o primeiro pisar de palco, que julguei profundamente necessária uma grande dose de profissionalismo no Teatro de amadores. Procurei incuti-lo em quem comigo se curzou, particularmente nos meus actores, e entristece-me a sua escassez; esta, porém, não justifica a aplicação da versão "desportiva" de amadorismo.

Quanto à ética, pode ser facilmente entendida como uma apreciação da moralidade de cada acção que tomamos, cada um de nós. No Teatro de amadores, será a observação do devido respeito por públicos, entidades, restantes artistas e pela Arte em si. É cristalino que, se falo em profissionalismo, certamente não me esqueço da ética profissional quando guardo na mala, antes de cada evento teatral, os bens essenciais para o mesmo, seja para um ensaio, representação, ou ainda simples participação como membro do público.

O público deve sempre exigir do elenco, e outros artistas que o rodeiam, um espectáculo competente, devotado à devida interpretação da mensagem imiscuida no texto dramático representado. Quando questionado acerca do profissionalismo do grupo que actuou, a resposta esperada tem que ser sempre a mesma, porque o contrário é não praticar Arte, não praticar Teatro. E uma resposta "simpática" e que tem em conta os estatutos dos artistas é faltosa ,no que respeita à ética do membro do público. Pouco importa ao público quanto paga ou quanto recebe cada artista envolvido. Ao artista tão-pouco deve importar. Deve estar a Arte na cabeça de todos.

Não pode, então, um amador de Teatro, ter atitude e ética profissionais? Mais ainda, não as deverá ter? Não deverá ser muito capacitado no seu trabalho de artista? Não deverá almejar a tornar-se um "profissional amador", cumprindo os requisitos profissionais, ainda que não seja especialista e não tenha as mesmas condições? Não deve o artista levar a bom porto o seu compromisso ético para com os camaradas de palco, o gentil público e a organização?

Sou, de facto, a favor de um comportamento que só poderá fortalecer o Teatro de amadores, porque esta nobre Arte o exige e porque um médico, ainda que fora do seu serviço e sem o equipamento necessário, não deixaria morrer alguém em sofrimento, só por não ser pago por isso.

O artista, tal como o médico, tem um importante dever social e ético, seja amador, especialista, ou profissional. Eduquem-se e esforcem-se em cada papel, caros amigos, pois é justa a exigência que sobre nós se abate. Se não vos preparastes para tal, escusai-vos de subir a palco, escusai-vos de debater o assunto, escusai-vos de respirar o ar puro, que tão rapidamente oxigena a massa encefálica destes profissionais que vos olham da boca de cena, dos que vos rodeiam, que nunca podereis compreender.

Caro membro do público, exija, como antes mencionei, profissionalismo dos que vão a palco, já que o "amadorismo" se deve limitar ao não receber no final do mês, não deve passar pela comparação entre alguém que anda de bicicleta ao fim-de-semana e outro que já ganhou o "Tour de France". A performance e competência artísticas de topo estão ao nosso alcance. Exija-as e visite-nos sempre!

Miguel Marado

terça-feira, 23 de junho de 2009

O Estado mais Puro da Arte

Consultando o nosso blog NCBjovens, essa criança que cumpriu recentemente o segundo aniversário, é fácil ignorar o subtítulo que desde que me recordo o acompanhou: "O Estado mais Puro da Arte". Houve uma altura na qual, não sei porque razão ou de quem partiu, nós achamos por bem ter esse lema para este Grupo Juvenil NCB. Penso que, na maioria das ocasiões, cumprimos essa premissa, mantendo a Arte teatral num horizonte próximo, que influenciou o que é, na minha opinião, trabalho, acima de tudo: a produção de peças/projectos teatrais.

Consultando a Wikipedia, na versão inglesa (porque de facto, e com todo o respeito, não lido bem com o persistente "sotaque" da versão "portuguesa"), li o que procurava em "Art", uma expressão interessante: "Generally, art is made with the intention of stimulating thoughts and emotions" (Trad.: "Na generalidade, a arte é criada com a intenção de estimular pensamentos e emoções"; negrito meu). Sem ser muito profunda na exploração do que a arte é (questão por demais conturbada e longa), esta frase diz muito do que eu entendo ser a Arte e o que temos vindo a fazer enquanto artistas que, antes de tudo, somos ou devemos ser. Isto passa muito pelo blog e pelo que aqui temos escrito.

Como devem calcular, serei certamente o mais atento leitor deste cantinho da web, por editar os textos e tomar grande parte das decisões que aqui se reflectem, que ocuparam grande parte dos meus últimos dois anos (senão quatro, contando com o tempo no qual tenho vindo a orientar o grupo), particularmente no que diz respeito a pensamentos e, quiçá sobretudo, emoções. Assim, apesar deste forte viés, posso afirmar que aqui encontramos parte do "estado mais puro da Arte". O que agora me proponho fazer é eleger alguns dos melhores momentos (leia-se "textos") que traduziram a Arte (e por vezes a Ciência) desta já longa página com dois anos de idade.

Ninguém que tenha lido os meus comentários com alguma frequência (é fácil, dado que comummente são os únicos) estranhará que a minha escritora favorita no blog seja a Joana Raquel Antunes. Comecemos então por ela, nesta curta viagem. O excelente texto "Eu?" permite-nos constatar a potencial veracidade de uma crítica que por vezes lhe foi, entre dentes, lançada: extensivo uso de linguagem técnica da Psicologia. Discordo e recomendo este texto sobre interpretação, muito bem conseguido. Noutro tom reside o texto "Cinderela à meia-noite menos dez...", muito mais recente, que não tem qualquer aspecto técnico. É uma pura janela da alma, que me faz lembrar porque me "apaixono" tão facilmente pelas obras desta artista, que já me "conquistou" em vários palcos, dentro e fora do sentido figurado.

Outra escritora muito próxima do meu coração é a Liliana Ribeiro, muito mais capaz no raciocínio do que na expressão escrita do mesmo, mas ainda assim deliciosa. Vou novamente pegar num dos primeiros e no último texto desta artista. "Técnicas do Teatro e a sua utilização no nosso dia-a-dia" é o que o título indica, um enumerar de mais-valias que o Teatro proporciona, mostrando a atenção e dedicação da que foi por vós nomeada "Melhor Actriz do Festival da Maioridade" o ano passado, exactamente por essas qualidades. Já o "Medo de ser diferente!!" continua a advogar as mais-valias do Teatro, mas demonstrando uma capacidade de dissecar a nossa cultura e sociedade, particularmente no que a jovens diz respeito. Textos que não fogem ao tema: Teatro e o forte amor desta artista por esta nobre Arte.

Um autor que não pode ser ignorado é (sou)... eu próprio. O primeiro texto deste blog pertence-me e é emoção pura. Sou uma pessoa que mistura a racionalidade que advogo com o lado emocional que sempre me perseguiu. Desta vez cedi a este último: "Nova Comédia Bracarense, desde 1990". Como arqueólogo que sou, cedi também ao lado de "revisão" da realidade, revisitando e relatando o que se passou, como acontece em vários textos. Recomendo um que marca a nossa história: "O Festival da Maioridade - um balanço".

Quanto ao meu amigo, e amigo deste blog e do nosso grupo, o Pedro Oliveira, vou salientar o primeiro texto, que marca o tipo de argumentação e raciocínio por ele aqui desenvolvidos. "Braga teatral?" é agressivo, provocativo e, acima de tudo, realista. Traz uma perspectiva exigente dum homem que faz parte das pessoas que acredita no trabalho e na verdadeira conquista de um lugar ao sol, ao invés de uma gestão corrente permeável a propostas duvidosas, que caracteriza o nosso país e mundo em geral.

O Diogo Ferreira trouxe-nos sempre um tom divertido e tradutor da criatividade deste autor, que aqui honrarei com a menção de dois textos. O primeiro foi de facto o seu primordial contributo: "Nova Companhia na Companhia", no qual explora a entrada de novos membros no Grupo Juvenil, transparecendo o espírito de grupo de toda a equipa. O segundo publicou-se pouco após, "Halloween", que nos traz a boa disposição e uma ligação teatral deste evento que está cada vez mais aqui.

Chegados aos mais recentes colaboradores (dentro dos que achei dignos de nota, claro), começo pelo Rui Lucas: este estudante de Jornalismo não hesitou em criticar a "falsa Arte", em "O que é um actor? Parece que há gente importante que não sabe!". Num estilo compulsivo e convincente, O Lucas mostra o que a Arte (não) é.

O Tiago Pintas mostra-nos em "O(s) público(s)" a mesma inteligência acutilante com que nos brindou n' "A Divisão", interpretando "Jonas". A sua leitura da importância de uma das nossas mais fortes paixões e obsessões, as plateias repletas, permite por momentos ler os olhos de desilusão de um qualquer actor defraudado, num mau dia para si ou da parte do público.

"A revolta do actor" fala de Teatro do Oprimido e traz-nos o Bruno Boss, que aqui mostra a sua capacidade de interpretar o que há de bom num género, de modo a trazê-lo para bem perto do coração do nosso público. De forma directa e de absorção rápida, este texto permite ao organismo assimilar com simplicidade uma ideia complexa e difícil de retratar. Digno dos mestres.

O Pedro Bafo, da mesma "fornada" que os últimos artistas mencionados, escreveu um hino à exigência que um artista deve ter de si próprio e do Grupo que o acompanha. "Um ano de NCB-Jovens" é um texto que soma um saldo positivo, mas se faz acompanhar de uma boa dose de auto-crítica e apreciação dos reais valores dos projectos tocados.

O mais recente texto do Pedro Kayak fala-nos do falecimento (bem como da vida) de Augusto Boal, "inventor" do Teatro do Oprimido. Um texto que revela o interesse do artista no Teatro e neste género, a sua capacidade de síntese e de honrar um seu mestre, num difícil e emocional momento. Recomendo-vos "A luta continua!" porque é verdadeira, em tantos aspectos, esta afirmação, e reveladora do espírito revolucionário e apaixonado do seu autor.

Assim vos li os melhores momentos, quanto a mim, deste work in progress que é o NCBjovens.blogspot. Demorou a consultar e redigir, mas ocorreu facilmente, com carinho, com alguma nostalgia e revisão de momentos piores e melhores. Um verdadeiro "trabalho de amor", tal como a Arte que aqui veiculamos. Deixe-se ficar, porque venha quem vier, aconteça o que acontecer, os jovens que tocaram, tocam e tocarão os palcos e os teclados com a grande e histórica Nova Comédia Bracarense e o seu Grupo Juvenil sempre serão dignos do rótulo "O Estado mais Puro da Arte".

Teatro, eu amo-te. E não estou sozinho...

NCB, sempre!

Miguel Marado

terça-feira, 16 de junho de 2009

Medo de ser diferente!!

O tema que eu vou propor pouco ou nada tem haver com o teatro, mas eu achei que era interessante fazer uma pequena abordagem. O medo de ser diferente na geração actual é algo que causa confusão. Ainda sou uma jovem adulta com os seus 23anos, pouco mais velha sou que esta geração, mas parecem todos réplicas uns dos outros, fazem os mesmos desportos, vestem as mesmas roupas: eu chamo a isto a “geração morangos com açúcar”. Claro que “quem sou eu?” para criticar estes jovens, eu também já fui uma adolescente irritante, com os meus ídolos.

Quando penso neste tema concluo que o teatro é uma maneira de cada um mostrar a sua individualidade, todos podemos ser aquilo que quisermos, podemos mostrar o que realmente somos. Acho que a geração de agora tem medo de seguir caminhos diferentes, de ter ‘hobbies’ diferentes dos seus amigos, com medo de não serem “fixes” o suficiente para ser aceite pelo resto das pessoas da sua idade. Se calhar este tema é um pouco controverso, mas agora todos querem ser actores e actrizes, não porque gostam de representar mas sim por querer ser famoso, querer ser igual a alguém que viu na televisão. O teatro amador não é para estas pessoas, nós damos o nosso sangue e suor, estamos quase sempre ocupados a fazer com que as coisas resultem para podermos estrear uma peça ou levar a peça a alguma localidade, nós não temos medo de ser diferentes, de mostrar coisas diferentes.

Falo no caso da NCB, pois como actriz sempre me ensinaram a não ter medo de aceitar um desafio com a cabeça erguida e só com um pensamento na mente: conseguir ultrapassar. Posso não ser conhecida como os actores da televisão, posso não ser famosa, mas sei o que é sentir o carinho do público, chegar ao fim de uma representação e pensar: “dever cumprido, hoje fomos espectaculares!”

Os jovens de agora cada vez praticam menos actividades culturais como música, teatro, ou mesmo a dança. Se calhar estou a ser injusta, mas isto é apenas um pequeno desabafo, não quero que as gerações mais novas sejam conhecidas só por causa dos “morangos”, dos “dzrt”, ou dessas coisas todos iguais. Comecem a fazer teatro, não tenham medo de ser diferentes, de explorar esse vosso lado criativo. Acredito que muitos têm capacidade para serem os melhores, aprender a gostar de actividades diferentes, não temos todos que ser réplicas. A diferença é boa, a diferença ajuda a evoluir, a pensar de maneira diferente. Posso não ser a melhor actriz, mas orgulho-me de ser diferente, de ter o meu jeito de representar, de dar um bocado de mim a cada personagem, de me sentir mais “crescida” depois de representar cada personagem. Todas as personagens acrescentam um pouco delas a ti.

Faz Teatro, aprende mais sobre ti mesmo, aprende a expressar-te.

Liliana Ribeiro